Agudo Grave

Zélia Duncan

Sinto agudo e canto grave
No meu pequeno intenso mundo
Quantos imensos mundos cabem?

Acordo cedo e durmo tarde
Na parede do meu relógio
Quantas horas a mais se batem?

Voei sal, aterrissei doce
No céu azul da minha boca
Quantos sabores me cabem?
Quantos sabores me cabem?

No mapa das minhas veias
Desenho meu autorretrato
No fio da minha teia
Avisto meu próximo passo

Agudo, cedo, sal
Suave, tarde, foi-se
Seria de outro jeito
Se desse jeito não fosse

Grave, tarde, doce
Agudo, cedo, sal

Nem a mesma paisagem
Consegue ser sempre igual
Consegue ser sempre igual

Voei sal
Aterrissei doce
Voei sal
Aterrissei doce

Voei sal

Voei sal
Aterrissei doce


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