A Vergonha Mata

Yannick Afroman

Hã (hã), hã (hã) hã (hã) hã (hã)
Hã (hã), hã, hã

Nesse dia, estava bem ancorado
Saí pra não ficar só a pensar
A passar na paragem, ouvi uma senhora a chamar (roboteiro trabalhador)
Como ninguém respondia, não maiei: Tô aqui
Mas ainda pensei: Meus amigos vão me rir, podem rir
Peguei nos sacos, baza
Depois de deixar a senhora em casa
A fazer a esquina, vi um cota a reclamar
(Mas aqui não tem putos que lavam carros?)
Tô aqui, não maiei, meu avilo
Peguei numa lata, meti água e dei o brilho
Com dinheiro na mão, bro, até a fome me passou
Pra não gastar em vão, peguei uma grade de gasosa, uma pedra de gelo
Pus no saco e comecei a zungar
Aqui é se virar
Como diz o ditado: Quem não tem cão, caça com gato

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

Você é motorista ou doméstica
Muitos pensam: Assim, não estudou muito
Tá errado
Aqui é só se remediar, não dá pra ficar parado
(Senão, as panelas entram em greve)
Na ausência do melhor, o pior também serve
(Mas também como padeiro?)
Quem é que não come pão?
Irmão, vai com calma
Emprego não é só trabalhar na Sonangol ou na Endiama
O país também faz-se com carpinteiro
Pintor, pedreiro ou alfaiate
Caro não é só tubarão
(I10 também bate)
Tá aí o Mamadu, chega aqui
Faz a sua cantina, vende saldo e faz chamadas e está a sobreviver
Mamá Leke chega aqui, faz kikuanga com macaiabo e tá a vender
Outros é franguité e cabrité e tá a bater
Mas o angolano, muita finuria
Gosta de copo, vida mulata
E quando não está a dar, começam a reclamar (governo não ajuda)
IIrmão, você próprio não se ajuda
Chinês não fica só na obra, também zunga

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

(Aqui não tem emprego)
Tá difícil, isso sim
Mas se não tivesse emprego, não teria tanto estrangeiros a virem aqui
Aqui, quando alguém abre uma loja ou faz um curso
Todo mundo segue a mesma coisa, até parece um concurso
Na hora do emprego: Alguém aqui parle francês?
(Todos é só inglês)
Se todos trabalhassem no banco ou no ministério
Quem iria de recolher o lixo ou tratar do cemitério?
Angola está a crescer, cada vez a evoluir
O eletricista, mecânico ou pescador também estão a contribuir
Olha o Toy
É limpando o chão que ganha o seu pão de cada dia
(E faz isso com muita alegria)
Se o cavalo que corre pelo gosto não se cansa
Então é só a prova de que quem luta, alcança
Então é só a prova de que quem luta, alcança

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

A vergonha mata, a vaidade estraga
Mete a banga de lado, se é pra vender, vende
Se é pra zungar, zunga, se é pra lavar, lava
Não tenha receio, roubar é que é feio

(Roubar é que é feio)
(Roubar é que é feio)
(Roubar é que é feio)


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