A pedra da luz mágica
De emanação trágica
A instilar seus miasmas
Faz ainda mais pálidos
Seres tão esquálidos
Que vagam feito fantasmas
Esses pobres saxícolas
Num viver semissilvícola
Já perderam o seu rumo
Eles são meros acólitos
Em seu ritual insólito
À divindade do fumo
Exibem débeis músculos
Seus corpos em crepúsculo
Nas tantas noites ermas
São frágeis homúnculos
A padecer de carbúnculos
Em suas almas enfermas
Nos vapores sulfúricos
Inalam seus barbitúricos
De onde recebem sustento
Em boquilhas metálicas
Suas dores tantálicas
Ganham apenas lenimento
Em seus instintos cúpidos
Buscam sonhos estúpidos
Cada dia, mais e mais
Mas, esse pão sem fécula
Dissolve cada molécula
Desses quase animais
Nessa odisseia homérica
Só por uma faísca feérica
Fazem a vida virar fumaça
Pra ter prazer freático
Realizam culto sorumbático
Num escuro canto da praça
E o Caronte mitológico
Pelo serviço necrológico
Pra a travessia final
Cobra de qualquer narcófago
Que se deita no sarcófago
A mesma paga numismal