O nome da menina é Maria
Que ouvia bombas trovejando
Se protegia, na noite fria
No colo do pai, soluçando
Maria não sabe da lei
Nem da tal reintegração
Não sabem os da sua grei
Que ainda existe escravidão
Quisera eu que a menina
Pudesse ter um recomeço
Para lenir sua triste sina
Para merecer mais apreço
E que a justiça sibilina
Não lhe cobrasse esse preço
Por que um prédio abandonado
Que nunca teve serventia
Merece, de um magistrado
Mais valor do que Maria?
Há roedores em quase tudo
A roer desesperançados
Há ratos por tudo que, contudo
Nunca, nunca são despejados