Espantalhos

Volmir Coelho

Eu sei que não agrado, mal trajado como me ponho
Fico, às vezes, prateado, bordado de Lua e sonho
Não posso andar por aí, pois aqui devo ficar
Meu ofício vou cumprir, sem sair do meu lugar

Esse encargo é sofrido, é antigo, é de precisão
Se eu não ficar de vigília, à família faltará o pão
Fico de braços abertos à espera de um abraço
Não ganho, por certo, mas espero, sem cansaço

A cada quarto, eu vigio a terra, a forja do grão
Depois do fruto colhido, terei cumprido minha missão

Também há espantalhos lá na cidade grande
Usam roupas em frangalhos, diferentes porque andam
Esses não rondam roças, de onde partiram iludidos
Só tem estrelas nas poças em seu rumo sem sentido

Se um conselho ouvissem, de um amigo esfarrapado
Talvez de volta seguissem, no rumo do seu pago


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