Sem aparente causa, a primeira náusea
Veio trazer desconfiança
A enjoada Maria, em seu ventre, percebia
Vir chegar uma criança
A mãe ficou a seu lado, ver o pai
Injuriado
Trouxe a ela desconforto
O noivo não assumiu e, acovardado, fugiu
Surgiu a ideia do aborto
No domingo, na igreja, depois do assim seja
Na hora da ave-Maria
Ela se pôs em genuflexão e a Deus pediu perdão
Pelo mal que ela faria
Mas o padre, num conselho, lhe mostrando o evangelho
A mocinha dissuadiu
Aqui diz que aborto é crime, maternidade é sublime
Deixe vir quem não pediu
Seu pai inconformado, por sentir-se desonrado
À filha negou o teto
Ela viu o olho da rua, chorou a realidade crua
Sem ter pão, amor, afeto
Nessa hora, falta o chão, comprimiu-se o coração
Nasceu a desesperança
Mas, custasse o que custasse, deixaria que chegasse
Para a vida esta criança
Outro erro não cometeria, lembrou-se de uma Maria
Que também teve sua cruz
Não fugiria do destino e, se nascesse um menino
Chamaria de Jesus