Já nem sei mais, o mundo corre tanto
E eu aqui parado vendo o tempo passar
Fico deitado na rede desse canto
Olhando a estrada até você voltar
Com o teu jeito simples de sorrir
Que alegrava a vida desse velho peão
Hoje os meus passos já não querem ir
Falta a tua luz no meu galpão
Não sei se longe, além desses caminhos
Alguém te cuida com o mesmo amor
Às vezes converso com os manacás-da-serra
Contando a eles minha imensa dor
A quaresmeira roxa me responde em silêncio
Que a natureza sabe compreender
O orvalho desce lavando o meu peito
Enquanto eu fico aqui a te esperar
Só trago as marcas que o tempo me deu
E esse coração que ainda bate por ti
Guardo as palavras que você me disse
Noites tão frias que eu já esqueci
Te amo, e se a neblina cobrir a floresta
E a chuva da tarde não quiser parar
Eu te espero feito o Sol espera a bromélia
Pro meu outono enfim clarear
O cabelo branco mostra a minha idade
E a janela do rancho virou minha vigia
Sei que a saudade é uma tempestade
Que vai moldando a minha calmaria
Falo com as orquídeas presas nos troncos
Flores da mata que não sabem julgar
Pois flor é flor no meio do mato
E o meu destino é saber esperar
Só trago as marcas que o tempo me deu
E esse coração que ainda bate por ti
Guardo as palavras que você me disse
Noites tão frias que eu já esqueci
Te amo, e se a neblina cobrir a floresta
E a chuva da tarde não quiser parar
Eu te espero feito o Sol espera a bromélia
Pro meu outono enfim clarear
Feito o Sol espera a bromélia na mata
Nessa velhice que me desata
Eu vou te esperar
Até o dia clarear