O Meu Silêncio É Uma Prosa Longa, Que Diz Tanta Coisa Pra Quem Quer Ouvir

Valdiner Pereira

Nessa noite eu só queria o vento
Que vem da serra trazendo o frescor
Pra balançar o meu pensamento
E acalmar as curvas dessa minha dor
Olho pro céu sobre a mata escura
Buscando um rastro de estrela e luar
Pois quem caminha nessa espessura
Precisa de luz pra não tropeçar

O meu silêncio é uma noite fria
Que esconde a força de um rio caudal
A névoa desce na sesmaria
E o peito canta seu próprio ritual
Eu já não peço nenhuma resposta
Nem quero o mundo pra me explicar
Aceito a vida que a mata mostra
E o tempo certo de sossegar

Por que será que eu me entrego assim?
Ao vento incerto de outra paixão
Dizendo sim com a boca pra fora
E um não cravado no coração
Já vi a chuva inundar a estrada
No frio da serra também chorei
Mas sigo em frente na madrugada
Buscando a paz que eu ainda não achei

Se eu conhecesse os caminhos do mundo
Não teria pressa de te encontrar
Sabendo andar neste chão profundo
Deixava o tempo te marchar
Preciso mesmo é saber de mim
Ouvir o canto que a terra tem
Cuidar das flores do meu jardim
Pra depois ser o amor de alguém

Por que será que eu me entrego assim?
Ao vento incerto de outra paixão
Dizendo sim com a boca pra fora
E um não cravado no coração
Já vi a chuva inundar a estrada
No frio da serra também chorei
Mas sigo em frente na madrugada
Buscando a paz que eu ainda não achei

Uma brisa leve que vem do mar
A névoa da mata pra me ninar
O que há por dentro eu hei de encontrar


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