O Barulho da Garrafa

Valdiner Pereira

O Sol baixando e a poeira levantando no quintal
A trilha sonora era um chocalho de vidro sem igual
Garrafa pet na mão, o meu tesouro guardado
Tinha olho de gato, leitosa e o brilho do passado

Nem vi o tempo passar, o joelho ralado nem doeu
No triângulo riscado no chão, o mundo era todo meu!

E faz: Tique-taque, ploc-ploc! Dentro do plástico
A gente era livre, um tempo fantástico!
Mãe gritando na porta: Vem pra dentro, menino!
Mas a próxima jogada era o meu destino

Pé no chão, alma limpa e a garrafa cheia
A felicidade vinha da ponta do dedo na areia!

O irmão do lado chorando, dizendo que eu ganhei na sorte
Devolve as minhas de fogo, senão conto pro meu norte!
O vizinho emburrado jurando que eu fiz trapaça
Mas no jogo da rua, quem tem técnica é quem passa

A raiva passava logo, amanhã tinha revanche
A gente brigava por gude, mas dividia o lanche

Até altas horas, sob a luz do poste amarelo
O asfalto era o campo, o nosso castelo
Sem tela de celular, sem Wi-Fi pra conectar
A nossa conexão era o estalo de uma gude no ar!

E faz: Tique-taque, ploc-ploc! Dentro do plástico
A gente era livre, um tempo fantástico!
Mãe gritando na porta: Vem pra dentro, menino!
Mas a próxima jogada era o meu destino

Pé no chão, alma limpa e a garrafa cheia
A felicidade vinha da ponta do dedo na areia!

Só mais uma partida, mãe!
Amanhã tem mais

Bons tempos
Que não voltam atrás


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