Nem Sempre a Gente Consegue Se Juntar

Valdiner Pereira

Tenho vivido em paz nesta fazenda
Voltando a ser criança com as minhas netas
A vida ganhou cor, virou legenda
Nas tardes quentes de risadas certas
Correr descalço atrás de borboleta
Tentar pegar o vento com a mão
O amor delas rasgou qualquer gaveta
Onde a velhice guardava a solidão

O Sol invade a roça de cacau
E perfuma o terreiro e o laranjal
Olho pro céu e sinto o meu peito cheio
Dessa alegria que afasta todo o mal
Ainda tenho muito chão pra caminhar
Muita colheita bonita para ver
A pimenta-do-reino vai brotar
E o tempo novo eu hei de bendizer

Como eu gostaria de ver todos vocês
Aqui em casa, reunidos na mesa do galpão!
Festejar um belo dia, todos de uma vez
Num abraço longo de aquecer o coração
A vida corre e a distância às vezes cansa
Nem sempre a gente consegue se juntar
Mas no sorriso de cada neta minha
Toda a família eu consigo avistar

Esses momentos com elas são eternos
Histórias puras que o tempo vai guardar
Mesmo que venham os dias de invernos
O meu quintal não para de florir e amar
Chorar por pressa? Não choro nunca mais
O tempo é mestre e sabe governar
Enquanto houver o riso das meninas
O velho avô tem força pra plantar

Como eu gostaria de ver todos vocês
Aqui em casa, reunidos na mesa do galpão!
Festejar um belo dia, todos de uma vez
Num abraço longo de aquecer o coração
A vida corre e a distância às vezes cansa
Nem sempre a gente consegue se juntar
Mas no sorriso de cada neta minha
Toda a família eu consigo avistar

Terei pra sempre doces lembranças
No rastro vivo dessas crianças
Um belo dia pra gente festejar
A vida é linda e eu sei esperar


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