Não Gaste o Fôlego Tentando Me Explicar

Valdiner Pereira

O tempo passa onde o vento faz a curva
Nesta cidade de línguas afiadas e visão turva
Ouvi o pregador berrar até perder a voz
Sobre o que é certo e o que resta de nós
Mas as mãos dele são limpas e o coração é frio
Ele fala de fartura enquanto eu olho o rio seco

Não gaste o fôlego tentando me explicar
O caminho da virtude que você não quer trilhar
Não desenhe o mapa, apenas ande no caminho
A santidade não vive na ponta da língua, sozinho
Não discuta como ser uma boa pessoa
Apenas seja uma delas

Vi um homem de terno citar versos de cor
Enquanto desviava o olhar de quem sentia dor
As palavras são baratas, como uísque ruim
Queimam na garganta e não levam ao fim
O silêncio de quem ajuda pesa mais que o sermão
De quem aponta o dedo mas não estende a mão

O julgamento virá com o pôr do Sol
Não importa o brilho do seu farol
Se a luz não esquenta quem está ao relento
Sua teoria é apenas fumaça ao vento

Não gaste o fôlego tentando me explicar
O caminho da virtude que você não quer trilhar
Não desenhe o mapa, apenas ande no caminho
A santidade não vive na ponta da língua, sozinho
Não discuta como ser uma boa pessoa
Apenas seja uma delas

Apenas seja
Menos barulho, mais verdade


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