Olho o horizonte e o Sol que vai sumindo
Sei que o tempo tem seu próprio caminhar
O cacau na sombra vai crescendo e florindo
Onde o jequitibá velho veio abrigar
Não adianta ter pressa na lida
Toda cabruca tem seu tempo de colher
A paciência acalma a ferida
De quem espera a terra responder
Passei noites de chuva e solidão
Peito firme feito cerne de jacarandá
Aguentei o vento forte do espigão
Sem deixar que a fé caísse no chão de lá
Quem conhece a cheia e a seca do lugar
Sabe bem o peso que a espera tem
A pimenta-do-reino começa a brotar
E traz o sustento que a vida mantém
Vale a pena cada passo na jornada!
Vale a pena ver o dia amanhecer!
A poeira que levanta na estrada
É a certeza de que a vida vai valer!
O céu sabe a hora certa do arvoredo
Deixar a folha seca e florescer
Com as mãos calejadas da lida
Vou colhendo o ouro que a terra me deu
Cura a alma, cura a dor, cura a ferida
O fruto maduro que o Sol protegeu
Cacau cheiroso e pimenta no jardim
Vão brotar onde a mágoa já passou
Se o destino foi severo até aqui
A floresta é o lugar que o bem curou
Vale a pena cada passo na jornada!
Vale a pena ver o dia amanhecer!
A poeira que levanta na estrada
É a certeza de que a vida vai valer!
O céu sabe a hora certa do arvoredo
Deixar a folha seca e florescer
Florescer no meu quintal
No silêncio da minha mata atlântica
Fazer de mim o meu melhor lugar
Deixar a vida me guiar