Nas estradas que andei, poeira e solidão
Eu vi o teu rastro quando passou por mim
O tempo era curto na lida do galpão
Não pude parar pra te sorrir assim
Mas vi nos teus olhos que havia um lugar
De paz e coragem, sem peso ou rancor
A mesma firmeza que Deus dá ao mar
A mesma semente que brota no amor
Cabelo branqueou, mas o braço é de aço
O peso dos anos não vai me curvar
No meio do meu cacaual eu compasso
O tempo de colher e o tempo de esperar
Abaixo da sombra das árvores grandes
O fruto de ouro reluz no chão batido
Cacau e pimenta que vão para longe
Dão rumo e suor pro meu tempo vivido
Muito obrigado por me olhar com coragem
Me ensinando a não ter pedras na mão!
Segui meu caminho levando a mensagem
Que a terra bendita sustenta o irmão
Com as mãos calejadas de tanta colheita
Eu sei que o amor colhe o que a gente planta
Na curva do tempo a lavoura está feita
E o peito do velho guerreiro ainda canta!
O cheiro do laranjal em flor me avisa
Que a vida renova onde o amor ficou
Pimenta-do-reino que cresce na brisa
Trazendo o sustento que o pai ensinou
Estou na janela vendo o Sol declinar
Mas trago no peito o vigor do amanhã
Ainda há muita mesa pra eu alimentar
Ainda há muita colheita nas manhãs
Muito obrigado por me olhar com coragem
Me ensinando a não ter pedras na mão!
Segui meu caminho levando a mensagem
Que a terra bendita sustenta o irmão
Com as mãos calejadas de tanta colheita
Eu sei que o amor colhe o que a gente planta
Na curva do tempo a lavoura está feita
E o peito do velho guerreiro ainda canta!
Livre pra produzir, livre pra sonhar
O velho cacaual ainda vai brotar
O laranjal perfuma todo esse rincão
Não levo mais pedras na minha mão