Ela abriu a picada no meio do espinho
Pés descalços na estrada, traçando o caminho
O saber guardado no peito, um grito contido
Num mundo de homens, o silêncio era o seu destino
Mas a luz de uma alma não se apaga no breu
Ela veio buscar o que o tempo não deu
Fomos a musa, a sombra e a canção
Presas no verso de outra mão
Mas a noite acabou e o véu se rasgou
A poesia que era secreta, enfim, acordou
Não se engane, cowboy, ela sempre esteve lá
Cuspiu fogo em versos pra quem quis escutar
Nas rodas de canto, o aplauso era dela
Mas a tinta da história fechava a janela
Guardava a alegria num frasco de dor
Rimando a vida, o suor e o valor
Agora o jogo virou na poeira desse chão
Onde havia distância, hoje tem união
O repente é o campo, a voz é o fuzil
A mulherada chegou, ninguém mais se omitiu
Todos em festa, sob a Lua de metal
Homem e mulher no mesmo portal
Parceiros de estrada, na sombra e no clarão
O não virou poeira
O saber virou canção