O tempo é cruel e às vezes preciso
Quando penso já foi e nunca mais reviso
É fera que não se toma
Relâmpago que some
Não se toca, não se vê, mas tudo consome
Tento viver o agora, mas ele já virou depois
O tempo é só um sopro entre nós dois
Fração tão breve que o mundo inteiro se nega
Num suspiro ele passa e o que era já não se vê
Tempo curto, tempestivo
Sou teu servo, teu adido, mas não me revolto
Quero escorrer-te num ralo sem fundo
Me livrar de ti
Tempo que não pede licença
Avança, crava e dilacera
Como amizade que escapa virando desculpa
Desculpe não deu, não tive tempo
Tempo dissimulado, afasta e apaga
Os amigos que tive um dia
Momentos preciosos que só quem sente percebe a ironia
O tempo leva a alegria, o afeto e a poesia
E eu não tenho tempo nem pra ausência