Lidar comigo, não sei
Talvez seja eu o meu próprio inimigo
Prisioneiro dos medos e angústias
Selados com o tempo
Difíceis como são
Minha vida começou num quarto cozinha
Dela dividia meus irmãos
Quatro pra ser exato
O meu pai do telhado vivia
Trazendo alegria pras famílias
Televisão sem antena
Nada se via
Trabalho, trabalho, trabalho
Seu lema
Minha mãe de doença sofria
Preocupada com a vida
Que o sustento temia
Respeito, humildade, sinceridade
Seu lema
Minha irmã que amiga
Que falta, que saudade
Foi embora depressa aos 24
Pra ela fiz uma música
Regina, guarde na mente
No fundo do teu coração
Meu canto é reza descrente
Não posso mais rezar não
Doces momentos
Que maravilha estar com ela
A vida era um sorriso inocente
Um convite à eternidade
Curta mas duradoura
Felicidade, felicidade, felicidade
Seu lema
Eu, bem, observava a vida que passava
Não a real, a imaginária
Sonhos vários, todos humanos tangíveis
Sem ambição, terrena como uma biruta
Que delata a direção do vento
Anacrônico de mim mesmo
Hoje acesso os dados
Impregnados pelo tempo
Me parecem inconsistentes, teimosos, resistentes
Sem identidade, invasores
Se instalaram definitivamente
Enquanto observava
Este não sou eu, leio e compreendo
Que há mais de um em mim, parceiros que fundam
Associações da solidão
Conduzem e me levam
A mais sincera conclusão
Eu não sou eu e pronto
Apenas emoção
Eu não sou eu e pronto
Apenas emoção