Desejam a paz com a faca no dente
O sucesso barato, o lucro indecente
Mas o Sol de janeiro, num golpe certeiro
Nasce de ressaca, igual e ligeiro
Trazendo as contas e as velhas feridas
Das mesmas batalhas vividas
Pois o ano novo é um velho maquiado
O mesmo cenário, um filme arranhado
Séculos e séculos de andar em círculos
A esperança é a droga que vira vício
Muda-se a data, preserva-se a trama
A mesma comédia, o mesmo drama
Da mesmice humana
Fevereiro aponta e a trégua desaba
O sonho da sorte já foi nunca acaba
A saúde padece no leito da espera
E o povo percebe que é a mesma era
Foi só um estalo, um clarão de artifício
Que rasga o escuro e retorna ao início
Sobra a fumaça, a cinza no chão
E a volta curvada pra mesma ilusão
Dizem que o tempo redime e renova
Mas a roda da história é a nossa prova
Corremos em círculos, cães e seus rabos
Do santo ao profano, dos anjos aos diabos
Não muda a essência, nem muda a cor
Só muda o dígito no computador
Pois o ano novo é um velho maquiado
O mesmo cenário, um filme arranhado
Séculos e séculos de andar em círculos
A esperança é a droga que vira vício
Muda-se a data, preserva-se a trama
A mesma comédia, o mesmo drama
Da mesmice humana
Dizem que o tempo redime e renova
Mas a roda da história é a nossa prova
Corremos em círculos, cães e seus rabos
Do santo ao profano, dos anjos aos diabos
Não muda a essência, nem muda a cor
Só muda o dígito no computador
Só muda o dígito no computador
Só muda o dígito no computador
Não é novo
É só o velho de roupa lavada
O tempo escorre, e não sobra nada
O ano novo é
Sempre igual
Sempre normal
Sempre banal
Sempre brutal
Sempre mortal
Sempre fatal
Sempre igual
Silêncio total
Feliz ano igual
Feliz ano igual
Feliz ano igual