CamÔes

Miguel Nogueira

Teus olhos ausentes sĂŁo versos quebrados
Pedaços de sonhos hå muito guardados
O tempo avança, mas não me liberta
Tua falta Ă© um fado que a alma aperta

O que tenho Ă© saudade sem fim
Cada noite vazia, um eco de ti
No silĂȘncio da alma, teu toque Ă© jardim
Gravei no meu peito, teu rosa carmim

No reflexo da Lua, procuro sinais
Mas o vento sussurra memĂłrias fatais
Em cada canto do mundo, nĂłs somos iguais

CamÔes ensinou-me a amar assim

Se o destino nos joga Ă  deriva do mar
Que as ondas me tragam teu nome a cantar
E quando o silĂȘncio for grito a doer
Que o eco do amor nos faça vencer

Se o tempo escreve em linhas tortas
Guarda meu nome nas tuas portas
Que um dia a brisa nos leve de volta
E o amor renasça onde o adeus não volta

Teu silĂȘncio Ă© um grito que o tempo nĂŁo cala
Um vestĂ­gio de nĂłs que no peito resvala
E a mĂĄgoa da ausĂȘncia, minh'alma abala
Mesmo longe, tua voz ainda me invade
NĂŁo consigo apagar esta saudade
O que me leva Ă© a saudade

O tempo passa, mas a sombra
Ainda dança ao meu redor
Talvez um dia eu me liberte
E o vento leve essa dor

CamÔes ensinou-me a amar assim

E se o tempo nos salvar
Que o nosso encontro seja luz
Iluminando a estrada que o destino conduz

E se o tempo nos salvar
Que o nosso encontro seja luz
Iluminando a estrada que o destino conduz

CamÔes ensinou-me a amar assim


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