Eu e o meu cavalo amarelado
Esporeado pelo tempo
Há tempo andamos na procura justa
De quem busca a música no silêncio amargo
Dessa gente tola, que exercita a boca
Mastigando a orquestração serena das curtidas cenas
Dominando as artes, sem saber porquê
Eu e o meu sentido anarquisado
De levar até o passado
O pago imperialista das conquistas
E a pergunta impertinente de quem era a fome
O lar, a cor, a changa, a sanga
E a prosáica mutação do canto
Adiante dos ouvidos surdos
Dos ilustres latifúndios ataperados de ninguém
A lida é o que resulta algo melhor
Depois da estação dos arrozais
A vida é a inspiração de cada voz
Cantando mais
Cantando mais
A morte é um violão ponteando o Sol
Além de nós
A morte é um violão ponteando o Sol
Além de nós
Eu e o meu campeiro envelhecer
Campereando a solidão teatina, ativa, ruralista
Dos engenhos impassíveis, moedores da consciência
Servidores da semente, que retalham terra e gente
Atrofiando a moradia dos que tentam ganhar o dia
De emoção e suor