Cavalo do Cão

Lulu Marah

Por secar a água do gelo
Por negar o escuro a luz
Por querer ser mais ligeiro
Que um corisco andaluz

Por flertar com o sete capas
Por velar televisão
Se despiu de cangaceiro
Se revelou cavalo do cão

Cavalo do cão, cavalo do cão
Desandou-se no sertão
Cavalo do cão, cavalo do cão
O cavaleiro solidão
Cavalo do cão, cavalo do cão
Um retirante do sertão
Do raio da silibrina
Só restou cavalo do cão

Por cortar cabelo a faca
Por rasgar garganta à mão
Por negar a terra um filho
Por roubar do próprio irmão

Por saber de alguns segredos
Do cangaço no sertão
Do raio da silibrina se tornou o capitão

Cavalo do cão, cavalo do cão
Desandou-se no sertão
Cavalo do cão, cavalo do cão
O cavaleiro solidão
Cavalo do cão, Cavalo do cão
Um retirante do sertão
Do raio da silibrina
Só restou cavalo do cão

Já de longe muitas léguas
Amargura o seu penar
Antes forte sertanejo
Hoje fraco e sem pensar

Se embrenhando na caatinga
Rasga o peito e cai ao chão
Sem gibão nem algibeiras
Lá se foi cavalo do cão

Cavalo do cão, cavalo do cão
Desandou-se no sertão
Cavalo do cão, cavalo do cão
O cavaleiro solidão
Cavalo do cão, cavalo do cão
Um retirante do sertão
Do raio da silibrina
Só restou cavalo do cão


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