Naquele fundão de grota
Correndo estrada a fora
Na estrada velha da linha
Antes da curva lá fora
Dizem que a curva é assombrada
Mas por maula eu vou passando
Serpenteando essa fronteira
No Garrão, vou me achegando
Minha mãe, supersticiosa
Vai acendendo um candeeiro
Pra iluminar minha trilha
Pelos caminhos campeiros
Nos marcos que vão cortando
O chão que um dia pisei
Pago hermano que cruzava
Desde piá, eu bem sei
As velhas taperas quedaram
Junto ao povoado antigo
Onde a escolinha pequena
Hoje é só campo e abrigo
Mas ali onde cresci
Onde o tempo fez morada
Ficou a fonte de versos
Vertente sempre inspirada
E teima a história a viver
Naqueles ranchos de chão
Pelo retrato na sala
Dos que plantaram a imensidão
Ando por estes pagos
Vendo o céu se alastrar
Corre um fio nos meus olhos
Como a água a brotar
E ao entrar nas ruínas
Que um dia tiveram vida
Vejo só pelas janelas
A infância já esquecida
E onde era um rancho forte
Hoje é só tapera erguida