Sina de Um Carreiro

Kadu Rodrigues

Eu nasci no interior, onde o galo canta cedo
Cresci em casa simples, não conheço o tal do medo
Aprendi com meu pai Eustáquio um caboclo de respeito
Descendente vô Raimundo e meu tio joZé Vicente
Que na vida somos algo quando serve pra alguém

O rastro que o boi deixa, a chuva vem e apaga
Mas a mágoa no meu peito, essa nunca se desfaz
Troquei o cheiro da terra pela luz dos vendavais
Vim morar na capital, procurando algo a mais

Ô, viola
Chora as cordas do meu peito
Quem vive longe do campo, não dorme mais satisfeito
A cidade tem as luzes, o asfalto é bem feito
Mas no coração da gente, o mato é o único jeito

Vi o prédio subir alto, vi o céu ficar cinzento
O barulho das buzinas abafando o meu lamento
Saudade do carro de boi, que gemia contra o vento
Na subida da invernada, no meu pensamento

Hoje eu vivo de saudade, sou caboclo da cidade
Tenho tudo o que queria, mas me falta a liberdade
De ouvir uma buzina
Meu padrin no caminhão amarelo trazendo felicidade na poeira da estrada

Ô, viola
Chora as cordas do meu peito
Quem vive longe do campo, não dorme mais satisfeito
A cidade tem as luzes, o asfalto é bem feito
Mas no coração da gente, o mato é o único jeito

Se um dia eu puder voltar, pro lugar onde eu nasci
Vou queimar esse sapato que o asfalto desbravei
Vou morar na palhoça, de onde não quis sair

É a sina do carreiro
Que a cidade não domou


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