Recordando

Francisco Alves

Ó, que saudades tenho do recanto
Que fica além do poente do sertão
Ao recordá-lo, como que o meu pranto
Me afoga em lágrimas o coração

Foi lá que infância doce, descuidada
Criou meus sonhos de infinita essência
Então eu ria, como a luz doirada
Que tinge a aurora matinal fulgência

Hoje há sonhos desmentidos
Tenho n'alma solidão
Noite, mágoas e gemidos
Remorsos no dorido coração

Infeliz no sonho meu
Desgraçado em meu amor
Ao passado que morreu
Vai se juntar
O meu porvir de dor


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