O cheiro das ervas tomou o lugar
E alguma coisa antiga chegou
Você não veio em paz
Mas eu sei que por trás dessa raiva
Existe uma história que ainda dói
Você chegou coberto de escuridão
Trazendo nos olhos revolta e rancor
Malícia antiga queimando no peito
Raiva guardada, silêncio e dor
Eu vi no teu gesto vontade de guerra
Eu senti no ar o peso que vem
Mas quem carrega ódio por tanto tempo
Acaba ferindo a si também
Pra que tanta malícia?
Pra que tanta maldade?
Isso só fere você
Não precisa dizer nada
Se não encontra palavras
Deixa teu corpo contar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Pode soltar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
O que te prende
Pode quebrar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Não precisa mais ficar
Então meu braço começou a arder
Como pele aberta depois de cair
Uma dor que não era do meu corpo
Mas encontrou meu corpo pra existir
E naquele instante eu vi tua história
Sem uma palavra você me mostrou
Um corpo ferido, marcado por mãos
Que a vida e o tempo não apagou
Te arrancaram tanto
Te feriram tanto
Que a dor virou tua voz
Mas quem te feriu já foi embora
E você continua preso
À corrente que ficou depois
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Pode soltar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
O que te prende
Pode quebrar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Não precisa mais ficar
A senzala ainda vive dentro de ti
Mesmo sem parede, corrente ou chão
Você saiu daquele corpo ferido
Mas não saiu daquela prisão
Teu inferno não nasceu de fogo
Nem foi construído por alguma mão
Foi feito de tudo que ainda retorna
Toda vez que alimenta o rancor no coração
Eu sei que você quer ajuda
Mesmo sem pedir
Eu sei que você quer cuidado
Mesmo sem admitir
Por trás de toda essa maldade
Existe alguém querendo sair
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Pode partir
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Não leva mais
Quem te fez sofrer
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Você merece se libertar
Não porque foi justo
Não porque eu esqueci
Não porque quem te feriu
Mereça sair daqui
Mas porque tua vida
Não termina naquela dor
Solta a corrente
Solta o agressor
Não carregue mais
Quem te fez sangrar
Não seja a senzala
Que te impede de passar
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Solta
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Vai
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Pode descansar
Depois que tua história atravessou meu corpo
O peso também precisou partir
Veio do fundo, rasgando o silêncio
Aquilo que não era meu saiu de mim
Junto da matéria foi tua energia
Raiva e malícia deixaram meu chão
Meu corpo expulsou o que havia recebido
E as ervas ficaram no ar da sessão
Talvez você nunca tenha dito
Me ajude
Talvez você nunca tenha dito
Cuide de mim
Talvez a única forma que encontrou
Foi chegar assim
Mas eu ouvi tua história
Eu senti tua dor
E não vou alimentar tua prisão
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Eu te perdoo
Agora vá
Você não precisa mais
Permanecer aqui