Aqui truta é a face do medo o submundo do DF
Não tem zona sul, nem zona norte nem zona leste
O esquecimento tá lá nos barracos na infraestrutura
Nas ruas sem policiamento, no esgoto, na violência
Aqui não tem escola, hospital, delegacia, nem laser
Mas aí sem lado bom, o que o moleque vai aprender?
Jogar bola, roubar, estudar, trabalhar ou cantar o quê
Aqui é cabuloso, comédia passa é mal
É o terror de Brasília, cidade estrutural
Aqui é cabuloso, comédia não tem estia
Cidade tenebrosa, chamada de Santa Maria
Eu canto a favelam, rimo os barracos, pobreza, miséria
Energia a luz de vela, mais uma história se completa
Todo mundo canta violência, eu não canto diferente
Eu canto bala no pente, lágrimas, mortes, sofrimentos
Treta a toda hora, vida loka, jogo, mulher e drogas
O meu povo se mata por dinheiro e isso me revolta
Estou de volta pra cantar, o meu o seu cotidiano
Mortes, drogas, ruas de terras, esgoto e muita lama
Nada muda por aqui nem o meu fim de semana
Escuto tiros, pedidos de socorro no barraco lá de trás
Um corpo caído agonizando, agora é tarde demais
Ninguém entende, no crime morre gente da gente
Esse é meu depoimento, o lado ruim daqui pra frente
Muito prazer, te apresento a quadra 12 da estrutural
Aqui paga pau morre de tiro sem respeito sem moral
O lixão nosso cartão postal tá lá na capa do jornal
Nele tem de tudo preconceito, miséria, sua doença
Resto de comida, remédio vencidos, falta paciência
Sobrevivência, fonte de lucro para o cara do caminhão
Aquele que mata a catadora por um quilo de papelão
Sim meu povo na pobreza se consagra analfabeto
Mais um aborto e no rio é encontrado mais um feto
Estupro escândalo para a sociedade, aqui já é normal
É natural cenas do nosso cotidiano vila estrutural
Nos becos, nas vielas, nas bocas das favelas, emprego
O assunto venda de drogas no atacado e no varejo
O pagamento sem desconto, sem juros só avista
Pra quem não me conhece muito prazer vulgo paulista
Na fita sem intimidade vila estrutural sem covardia
Do lado de lá pra cantar a realidade de Santa Maria
Lado bom lado ruim esse é nosso cotidiano por aqui
Eu vou pedir paz pra quem conseguiu fugir daqui
Cada trajetória vidas esquecidas sem glórias
Cada quebrada, seus problemas e sua histórias
Aqui é cabuloso, comédia passa é mal
É o terror de Brasília cidade estrutural
Aqui é cabuloso, comédia não tem estia
Cidade tenebrosa chamada de Santa Maria
Nesta parceria estamos cantando a real
O que rola na perifa, para muitos e normal
Desespero, assalto acontece todo dia
Rola na estrutural, também na santa Maria
Aqui nessa quebra só tem nego correria
Fazem até o que não deve pra ganhar o dia-dia
Tem cara de jaqueta na esquina olha o trampo
São homens de negocio e o negocio e contrabando
São bons vendedores, mostram a mercadoria
Dólar de maconha ou carreira de cocaína
Seja do lado sul ou do lado norte
Os clientes vêm chegando e pedem logo um papelote
E quando anoitece cada um pega seu rumo
Os zome tão na área pra estourar boca de fumo
Querendo ser os fodas, querem ganhar moral
Só que na santa Maria esses fulanos passam mal
Quem nunca ouviu falar em uma área esparrada
Aqui nessa quebra tem até faixa de gasa
De segunda a segunda de domingo a domingo
Toda hora todo dia se ver gritos, correria tiros desespero
Pedido de socorro o sapeca foi nas costa e no chão só mais um corpo
Estendido na rua IML ia chegar, sua mãe e sua mina não param de chorar
Se pergunta o porquê fizeram isso com o menino
Ele era inocente mais infelizmente foi confundido
E isso que acontece eu sei não é legal
Mais rola na santa Maria e na cidade estrutural
Jovens a cada dia estão perdendo a inocência
Entram mais cedo no mundo da violência
Seguram um revolver querem ganhar respeito
Dentro das suas gangues eu sei que e desse jeito
Só quem participou sabe bem como é que é
Carro dinheiro tudo que quiser
O que rola na perifa e desse jeito meu irmão
Cantamos a favela a real situação
Quebrada diferente o mesmo dilema
As mesmas historias os mesmos problemas
Terror de Brasília Distrito Federal
Chamada de santa Maria e cidade estrutural