É tarefa árdua separar o homem do seu altar
Da religiosidade que insiste em o cegar
O profeta no seu lar nunca encontra aceitação
Pois traz a verdade que fere a tradição
Não busco o aplauso, nem a glória dos mortais
Estou aqui pra fazer a vontade do meu pai
Vou expor a hipocrisia de quem ama o papel
Mas esquece que a vida é o que nos leva ao céu
Imagina agora: A estrutura começou a balançar
O chão se abre em fenda, não há onde se segurar
Um terremoto abala tudo o que você construiu
O abismo te encara, o silêncio sumiu
De um lado está o livro, com sua capa de valor
Do outro está seu filho, clamando por seu amor
Uma mão segura a vida para não desfalecer
A outra está livre, o que você vai fazer?
Quem você resgataria do abismo?
No fim da hipocrisia, resta o batismo
Da consciência pura que sabe distinguir
O que é eterno do que vai se destruir
A vida tem precedência sobre o material
O amor é a justiça, o critério final
Resgate a vida, deixe o objeto cair
É o entendimento começando a surgir
A religião humana tem começo e tem fim
Um caminho de tolices, um jardim de marfim
Que não ensina o homem a se desconectar
Do peso desse mundo que insiste em carregar
Se o livro cair, a palavra em ti permanece
Mas se o filho se for, que oração te oferece?
A vida sobre o material
O filho sobre o papel
O teste do abismo revelou
Quem você realmente amou