Rumo de Uma Bailanta

Desidério Souza

Boca da noite eu troteava
Pela estrada um Redomão
Destes arisco e bufão
Quase um gato de ligeiro
Cria de um cuiudo oveiro
Pelo bueno que não nega
Que pisa leve a macega
Com jeito de caborteiro

O vento norte assoviava
Alvorotando cruzeiras
Destas que dormem em toçeiras
Em moitas de Santa fé
Mas eu que não tava a pé
Vinha assoviando um rasguido
Parece que fui benzido
Com penas de caburé

Quando as próprias três marias
Se escondem no infinito
O grilo emudece o grito
E até a coruja se espanta
Só um par de chilena canta
No meu garrāo abraçada
É porque eu ando na estrada
No rumo de uma bailanta

Meu pala de pura seda
Abanava pacholento
Contraponteando com o vento
E a cantiga da chilena
A noite tornou se buena
Conforme o clarão da Lua
E eu cortava a pampa nua
No rastro de uma morena

Pra mim que vivo peonando
No ofício de peão rural
Já sovei muito bagual
Cruzando na noite escura
De bochincho vou a procura
E por saber o mato que eu lenho
Um 38 que eu tenho
Já fez mossa em mi'a cintura


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