Antes, eram de ferro
Faziam barulho
Machucavam a pele
Hoje
Ninguém vê
Mas ainda prendem
Pés no chão quente, aço na mão
Olhar sem rumo, sem direção
Nomes roubados, voz calada
Vidas marcadas, alma acorrentada
Chicote estala, dor sem som
O mundo assistia, sem dizer não
Corpos tratados como objeto
Liberdade, um sonho incompleto
Diziam que era o fim, quando acabou
Mas só mudaram, a forma da dor
Tiraram as correntes, que davam pra ver
E criaram outras, difíceis de perceber
Correntes invisíveis!
Nos prendem igual!
Mudaram os tempos
Mas o mal é o mesmo final!
Correntes invisíveis!
Ninguém quer ver!
Todo mundo preso
Sem perceber!
Relógio correndo, vida na mão
Preso em rotina, sem direção
Trabalha, consome, sem questionar
Vive cansado, sem nem parar
Correntes na mente, medo de falar
Padrões impostos, pra se encaixar
Sorriso forçado, dor escondida
Vivendo um roteiro, que não é vida
Quem controla, o que você pensa?
Quem decide, o que te representa?
Você escolhe, ou só repete?
Vive livre, ou só se submete?
Correntes invisíveis!
Nos prendem igual!
Você chama de vida
Mas parece um final!
Correntes invisíveis!
Difíceis de ver!
Quanto mais você nega
Mais preso vai ser!
Amor que prende, medo de sair
Laço que dói, mas insiste em ficar ali
Palavras que ferem, mas você aceita
Corrente no peito, que te sujeita
Vícios calados, fuga constante
Promessas vazias, ciclo distante
Tentando quebrar, mas sem perceber
Que a chave sempre esteve, em você
Não é só história, não ficou pra trás
Essas correntes, ainda são reais
Se não estão no corpo, estão em você
E o pior de tudo, é não perceber
Correntes invisíveis!
Agora eu vejo!
Tudo que me prende
E eu não percebo!
Correntes invisíveis!
Eu vou quebrar!
Não nasci pra viver
Sem poder escolher e lutar!
Não importa o tempo!
Nem o lugar!
Toda corrente
Um dia vai se quebrar!
As correntes mudaram
Mas a prisão, ainda existe