Senhores do Horror

Astrikos Katoikos

Nas dunas de Marte surgiu um cordel
Com três esqueletos comendo pastel
Tinham capacetes de vidro lilás
E um Marshall pregando sermões siderais

O líder da tropa chamava Juvenal
Zumbi proletário de um circo orbital
Bebia corote forte servido em funil
Cantando punk rock num tom juvenil

Um carrasco sem maxilar servia licor
Feito das cinzas de um antigo doutor
E cães do inferno sob radiação torrencial
Perseguiam astronautas no necrotério orbital

Ó Zumbis do Espaço, senhores do horror
Trazem temores num disco voador
Riem dos impérios, do ouro, do altar
Enquanto saboreiam salmão lunar
Ó Zumbis do Espaço, banda celestial
Desfilam sorrindo nesse breu astral

Numa espelunca satânica da Via Láctea norte
Vendiam vinis com semblantes de morte
Um crânio com lantejoulas surgiu no balcão
Pregando poemas sobre putrefação

Havia um alienígena vindo de Netuno
Fumando algo ilícito no canto escuro
Levava na bolsa álbuns do Misftis
E revólveres furtados de antigos xerifes

Num hangar funéreo daquela nave sem lei
Dormia um cadáver vestido todo de rei
Com cravos metálicos dentro do olhar
E moscas de Belzebu já começando a pousar

Ó Zumbis do Espaço, senhores do horror
Trazem temores num disco voador
Riem dos impérios, do ouro, do altar
Enquanto saboreiam salmão lunar
Ó Zumbis do Espaço, banda celestial
Desfilam sorrindo nesse breu astral

No fim da galáxia tocaram um rockão
Com vísceras brilhando sob a iluminação
O 'vocal' girava qual velho cantor
Cuspindo espuma com terrível fedor

E após mil cometas, eclipses, e festins
Juvenal dormiu num cemitério sem fim
Seu cérebro boiava num caldo estelar
Coberto de purpurina e chorume do lugar

E foi assim

Ó Zumbis do Espaço, senhores do horror
Trazem temores num disco voador
Riem dos impérios, do ouro, do altar
Enquanto saboreiam salmão lunar
Ó Zumbis do Espaço, banda celestial
Desfilam sorrindo nesse breu astral


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