O Que Sou, Sempre Será!

Astrikos Katoikos

Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer

Sou o espaço entre o olhar
Sou o ver sem direção
Não há dois a contemplar
Só a pura percepção

O corpo passa, o mundo gira
A mente sonha e se refaz
Mas há algo que não delira
E esse algo é paz

Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer

Sou o som que ouve o som
Sou o ver sem observador
Tudo surge, tudo some
Mas não se perde o que é amor

Não sou o tempo, nem o passo
Nem o sopro do querer
Sou o fundo de todo espaço
Onde o perceber é o próprio ser

Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer

Tudo nasce e tudo cessa
Mas o fundo não se vai
É o eterno que se expressa
Em semblantes de mortais

Quem o busca já se perde
Pois buscá-lo é se afastar
Ele é simples como o agora
Ele é lucidez e descansar

Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer

Não há dentro nem há fora
Não há alto nem há chão
Tudo é sonho que aflora
Da mesmíssima visão

Quem dissolve o próprio nome
Vê que nunca houve alguém
Só o Uno que se descobre
Em aparência de ninguém

Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer


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