Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer
Sou o espaço entre o olhar
Sou o ver sem direção
Não há dois a contemplar
Só a pura percepção
O corpo passa, o mundo gira
A mente sonha e se refaz
Mas há algo que não delira
E esse algo é paz
Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer
Sou o som que ouve o som
Sou o ver sem observador
Tudo surge, tudo some
Mas não se perde o que é amor
Não sou o tempo, nem o passo
Nem o sopro do querer
Sou o fundo de todo espaço
Onde o perceber é o próprio ser
Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer
Tudo nasce e tudo cessa
Mas o fundo não se vai
É o eterno que se expressa
Em semblantes de mortais
Quem o busca já se perde
Pois buscá-lo é se afastar
Ele é simples como o agora
Ele é lucidez e descansar
Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer
Não há dentro nem há fora
Não há alto nem há chão
Tudo é sonho que aflora
Da mesmíssima visão
Quem dissolve o próprio nome
Vê que nunca houve alguém
Só o Uno que se descobre
Em aparência de ninguém
Nada veio, nada irá
O que sou, sempre será
Antes, dentro e depois do ser
Só o Ser há de permanecer