O Monstro de Frankenstein

Astrikos Katoikos

Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir

Nasci de um raio que brilhou
Num laboratório febril
Minha existência é um insulto
Um erro vivo e muito hostil

O relâmpago abriu minha epiderme
Um grito elétrico a ferver
Um tecido morto que despertou
Tentando apenas sobreviver

A sala inteira me observava
Como um cadáver a subir
E meu criador fugiu tremendo
Antes que pudesse me ver existir

Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir
Meus tendões foram perigosa
Arquitetura a retorcer
Cada junção era uma afronta
Uma recusa ao perecer

Andei na noite sem destino
Com passos duros de destruir
A aldeia viu meu vulto infecto
E decidiu me perseguir

O fogo veio como sentença
Chamando o povo pra punir
E meu surgimento maldito
Ganhou um preço a consumir

Procurei rosto parecido
Um corpo irmão pra dividir
Mas cada porta se fechava
Antes de eu poder pedir

Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir

O mundo inteiro me expulsava
Como um pecado a repelir
E a solidão foi meu consolo
Minha razão de prosseguir

Voltei a Frankenstein que me fez
Querendo só compreender
Por que moldou minha presença
Pra depois querer me desfazer

No fim, restou apenas neve
Cobrindo tudo pra extinguir
E o que fui antes se dissolve
Numa vontade de sumir

Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir

Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir


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