Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir
Nasci de um raio que brilhou
Num laboratório febril
Minha existência é um insulto
Um erro vivo e muito hostil
O relâmpago abriu minha epiderme
Um grito elétrico a ferver
Um tecido morto que despertou
Tentando apenas sobreviver
A sala inteira me observava
Como um cadáver a subir
E meu criador fugiu tremendo
Antes que pudesse me ver existir
Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir
Meus tendões foram perigosa
Arquitetura a retorcer
Cada junção era uma afronta
Uma recusa ao perecer
Andei na noite sem destino
Com passos duros de destruir
A aldeia viu meu vulto infecto
E decidiu me perseguir
O fogo veio como sentença
Chamando o povo pra punir
E meu surgimento maldito
Ganhou um preço a consumir
Procurei rosto parecido
Um corpo irmão pra dividir
Mas cada porta se fechava
Antes de eu poder pedir
Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir
O mundo inteiro me expulsava
Como um pecado a repelir
E a solidão foi meu consolo
Minha razão de prosseguir
Voltei a Frankenstein que me fez
Querendo só compreender
Por que moldou minha presença
Pra depois querer me desfazer
No fim, restou apenas neve
Cobrindo tudo pra extinguir
E o que fui antes se dissolve
Numa vontade de sumir
Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir
Sou fragmento reanimado
Arquétipo do medo a se expandir
Sou cadáver reconfigurado
Que a própria ciência tenta excluir
Sou a pergunta nunca dita
Sou o destino a se partir
Sou a criatura feita à força
Que meu criador quer suprimir