Nas Ermas Congeladas da Ciméria

Astrikos Katoikos

Debaixo de cerros de neve granítica
E fragas de cor calcinada
O povo trancava os ferrolhos
Na borrasca cerrada

Peles de urso pendiam
Das vigas de pinho crestado
E cães de focinho nevado
Dormiam no raro barro pisado

Mulheres curtiam os couros
Com sal, sebo espesso e carvão
Enquanto nas trempes ferviam
Gordura e javardo com alcatrão

Inóspita Ciméria dos alpes malditos
Dos uivos na treva glacial
Teu fogo ardia com os destemidos
Na noite de mundo ancestral
Terrível Ciméria das tormentas de granizo
Dos lobos e chuva invernal
Teu povo dormia de espada
Sob uma montanha divinal

Nos vales de gelo rachado
Machados batiam sem fim
E homens de barba enregelada
Cortavam abetos ruins

Ferreiros moldavam cutelos
Na chama de brilho avermelhado
E o clangor subia nos ermos
Qual grito de touro acuado

Ao longe nos passos da neve
Vinham caçadores do norte
Arrastando cervos gigantes
De chifres talhados pra morte

Inóspita Ciméria dos alpes malditos
Dos uivos na treva glacial
Teu fogo ardia com os destemidos
Na noite de mundo ancestral
Terrível Ciméria das tormentas de granizo
Dos lobos e chuva invernal
Teu povo dormia de espada
Sob uma montanha divinal

E quando o crepúsculo antigo
Tingia os alcantis de sangue
Os velhos contavam batalhas
Bebendo hidromel e alangue

Assim prosperava a Ciméria
Sem rei de coroa dourada
Somente homens de peito granítico
E a terra coberta de terrível geada

Inóspita Ciméria dos alpes malditos
Dos uivos na treva glacial
Teu fogo ardia com os destemidos
Na noite de mundo ancestral
Terrível Ciméria das tormentas de granizo
Dos lobos e chuva invernal
Teu povo dormia de espada
Sob uma montanha divinal


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