Andei légua e meia légua
No lombo do meu destino
Deixando rastro na estrada
De um gaúcho peregrino
Gastei os olhos nos livros
De tanto buscar saber
E no fim de toda a ciência
Só aprendi a me perder
Voltei pra casa cansado
Com o poncho da vida surrado
O coração calado
De tanto silêncio e solidão
Já não queria mais pouso
Nem mais um trago amargo
Só um canto de galpão
Pra aquietar o coração
Foi então que Tu chegaste
Como luz de candeeiro
Prenda de olhar sereno
Meu conforto derradeiro
Eu que andei o mundo inteiro
E não achei onde pousar
Encontrei no Teu abraço
Um motivo pra ficar
Se Tu quiseres ser morada
Eu prometo ser Teu lar
Não Te peço luxo nem festa
Só Teu mate na manhã
Tua mão na minha mão
No entardecer na semana
Que o que eu quero é coisa simples
É de quem já se cansou
É ter uma companheira
Pra vida, pro que restou
Foi então que Tu chegaste
Como luz de candeeiro
Prenda da minha vida
Meu conforto derradeiro
Eu que estudei tanta coisa
Pra no fim só entender
Que o homem só é feliz
Quando encontra uma mulher
Pra chamar de companheira
Até o dia de morrer