Sou a voz da encantaria
Das memórias e magias
Tortuosa travessia que o destino reservou
E a poeira anuviou
A cobiça inebriante lapidava diamantes
Num terreno traiçoeiro
Muito rico e feiticeiro
Era tanta terra pra plantar
Quando a pedra parou de cantar
Não é doce o mel da cana, Sinhá
E adeus pra Caxangá
Água negra, Sol abrasador, casa de barro
E uma gente de valor
Na brincadeira, o batuque do Jarê
Rodo na gira do corpo pra corpo benzer
À luz do velho Nagô, o lume de um lampião
O caruru na tijela, comendo com a mão
O caruru na tijela, comendo com a mão à luz
Do velho Nagô, o lume de um lampião
Rodo na gira do corpo pra corpo benzer
Na brincadeira, o batuque do Jarê
Mas tudo não finda quando cai o curador
A professora dá as mãos à profetiza
Nos dramas, na lida, na fé e no amor
Mulheres destemidas não se calam
Contra injustiças e grilhões
E a luta pela terra vai seguindo gerações
A semente que ficou, é se juntar
Dividir o que plantou, e se a vida derrubar
Sou eu que enxugo o pranto
Sou eu de azul e branco
Na favela ou no campo, te levanto pra lutar
Nas páginas de um livro admirado
Torto Arado é retrato brasileiro
A nossa Vila, mais que uma escola
Aguerrida quilombola, risca o chão desse terreiro
Vila, mais que uma escola aguerrida
Quilombola, risca o chão desse terreiro
(Vamos lá, Vila Isabel!)