Mundo Esquisito

Vieira e Vieirinha

Tem muita gente que tem uma vida gostosa
A minha vida tem sido muito custosa
Eu ando triste só de padecer nervosa
Quase não durmo nessa noite calorosa
Ando sofrendo só por causa de uma rosa
E o meu benzinho que é muito revortosa
O meu benzinho é tic-tit amorosa
Do beiço inda mais do que gasosa
Um dia desse me saíram com uma prosa
Que meu benzinho comigo anda desgostosa

O nosso mundo é mesmo um vira-vira
Tem muita gente que se sofre se admira
Eu sofro tanto e nem assim não tenho ira
Lembrei do tempo que comia cambuquira
Eu era grande, era um menino caipira
Ia nas festa amarrava calça com imbira
Eu vou fazer um botoquinho de guaiuvira
Pra dar pelota e pinha nas corruíra
E hoje em dia eu sou feio que um corrupira
Por minha causa muita moça ainda suspira

O nosso mundo é mesmo muito esquisito
Pensando bem há muita gente dando o grito
Eu era grande, era um menino faminto
Gostava muito de comer tamandarito
Nasci no mato, fui criado com palmito
Aprendi tocar viola pra cantar em todo distrito
Tenho um desgosto nunca pude ser bonito
Fazia graça quando eu era pequetico
E hoje em dia eu sou barbudo igual cabrito
Sendo tão feio eu cobiço moça bonita

Tem certo dia quando a nervosa me cala
Às vezes eu reino de arrumar a minha mala
No mesmo instante eu saio abrindo ala
Anda no mato pra ninguém ver a minha cara
Eu vou fazer uma espingardinha de taquara
Pra agarrar o mato com meu terno de jaguara
Eu vou caçar no sertão de Itaiquara
Brigar com os bugres e divertir com as capivaras
E de repente a bugrada me ampara
E ainda posso achar a bugrinha meia clara


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