Cabernet Sauvignon

Vidal Assis

Vem
Teu cansaço ainda cabe no meu colo
Podes te aninhar
Ninguém
Tem nas mãos o amor de quando eu te consolo
Pra te resguardar

Dos medos mais antigos
Das tormentas, dos perigos
Que me acenam do horizonte do teu ser

E és cabernet sauvignon e eu um fiel sommelier
Que o amor
É uma dor cujo nome é prazer

Nos meus braços tenho mirra, ouro, incenso
Ramos de alecrim
Viver
É saber que o amor é um alfarrábio imenso
Te aprochegues, sim

E encontro de relance
Num pedaço de romance
Dois rapazes de mãos dadas no final

Se eu durmo e tu dormes, quem há de confirmar se foi real?
Deixa estar
Teu olhar guarda os tons de Chagall


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