Não há por aqui ou noutro lugar
Caminho de chão que leve até lá
Preciso aprender o segredo das águas
Cruzar o vazio no canto do olhar
Sonho lúcido, os mares do outro mundo
Dele a terra espalha um império selvamangue
Por jubas zelosas guardado, avulta
Mistérios da forma na vermelhidão
Não há por aqui ou noutro lugar
Caminho de vento que leve até lá
Preciso aprender o segredo das sombras
Trazer na memória silêncio vulgar
Luz de quatro patas semanas irradia
Estio soberano desde sóis irmãos
Enquanto preguiças-da-lua adormecem
Ao choro das matas e asas afloram
Não há por aqui ou noutro lugar
Caminho desperto que leve até lá
Somente a estrada da grande raiz
Em fósseis solidões a que todo caos se verga
Encarno sobre elas o mar de meus avós
E faço das ossadas o arco e a jangada
Que enfim me elevarão o cálido sentido
Ás copas de titãs, ao planeta perdido