Na Pega Do Terneiro Ligeiro (Gaúcha)

Vanderlei Lermen

Lá no campo aberto, Sol clareando o rincão
Quatro cavaleiros prontos, firmes na missão
Mate quente na guaiaca, olhar lá no potreiro
Mas o tal que procuravam não era um terneiro qualquer, não senhor
Diz que foi briqueado num negócio meio arisco
Não foi por dinheiro, foi trato no improviso
Entre riso e aperto, lá na sombra do galpão
Trocaram ele num Fusca, desses velho de patrão

Ô terneiro danado, ligeiro feito o vento
Quatro homem a cavalo e ele ganha no talento
Pula cerca, cruza sanga, não se deixa encurralar
E quanto mais tentam pegar, mais ele sabe escapar

Um fecha pela direita, outro abre lá no fundo
Tem cavalo já suado, batendo casco no mundo
Mas o bicho dá um giro, levanta o pó do corredor
Some no meio do mato como sombra sem valor
Já pulou cerca de arame como se fosse capim
Deixou quatro peão brabo pensando não é pra mim
Mas gaúcho é teimoso, não larga fácil a mão
Mesmo vendo que o terneiro tem mais manha que patrão

Ô terneiro danado, ligeiro feito o vento
Quatro homem a cavalo e ele ganha no talento
Pula cerca, cruza sanga, não se deixa encurralar
E quanto mais tentam pegar, mais ele sabe escapar

Tentaram laço por cima, tentaram cortar caminho
Mas o bicho escapulia, conhecia cada espinho
Já no fim da tarde, cansados da perseguição
Se olharam meio sem graça, mas acharam solução

Pra cumprir o tal negócio, sem perder a tradição
Deixaram aquele ligeiro correndo solto no rincão
E pegaram outro no campo, mais manso e sem emoção
E o Fusca ficou valendo, no trato de peão

Ô terneiro danado, ligeiro feito o vento
Quatro homem a cavalo e ele ganha no talento
Pula cerca, cruza sanga, não se deixa encurralar
E quanto mais tentam pegar, mais ele sabe escapar


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