E Sigo Andando Na Areia, de Pé

Valdiner Pereira

Você deixou sua esteira aqui na minha varanda
Achando que me tinha na palma da mão
Mas o vento de agosto mudou a ciranda
E levou embora toda a ilusão

Eu cansei de olhar pro farol esperando o teu barco voltar
Hoje eu faço meus planos ouvindo o barulho do mar

Eu não sou teu talvez, nem o teu quem sabe
No meu coração o teu jogo não cabe
Deixei teu adeus flutuar na maré
E sigo andando na areia, de pé
Olha pra mim, tô pegando esse Sol
Você teve a chance, perdeu o farol
Eu não sou teu talvez, ouça o que eu digo
O meu amanhã não combina contigo

La-ia-la, o barco partiu
La-ia-la, o meu peito sorriu
La-ia-la, a dúvida se foi
O meu amanhã não combina contigo

Mudei as conchas de lugar na janela
Botei meu chapéu onde o teu costumava ficar
Meus amigos sorriram ao me ver na passarela
Disseram: Olha ela voltando a brilhar

Eu me encolhia pra caber no teu espaço miúdo
Agora esse mar me mostrou que eu posso ter tudo

Sem ressentimento, a alma tá leve
O que foi tempestade na praia não neve
Se a minha canção chegar lá do teu lado
Saiba que o meu mar já mudou o traçado

Eu não sou teu talvez, nem o teu quem sabe
No meu coração o teu jogo não cabe
Deixei teu adeus flutuar na maré
E sigo andando na areia, de pé
Olha pra mim, o horizonte clareou
Você teve a chance, o tempo passou
Eu não sou teu talvez, ouça o que eu digo
O meu amanhã não combina contigo

La-ia-la, a onda levou
La-ia-la, a dúvida acabou
O meu amanhã não combina contigo


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