Quando o Sol nasce vermelho
Por detrás do mangueral
O homem do campo acorda
No canto do sabiá
Com a mão calejada e firme
E o chapéu de couro surrado
Ele honra a própria vida
No suor do seu legado
Homem da terra bruta
Filho do chão percorrido
Não teme chuva nem vento
Nem destino mal escorrido
Porque carrega na alma
Um coração destemido
E quem planta fé na terra
Nunca vai viver perdido
A enxada corta o barro
Como quem corta a ilusão
Pois o homem do campo aprende
Que nada vem sem oração
Mas quando o milho cresce alto
E a horta faz floração
Ele sorri agradecido
Pela força da criação
No fogão de lenha aceso
Tem café forte pro chão
A viola no pé da rede
Cala a dor do coração
O homem do campo sabe
Que a vida é mais oração
Do que correr atrás de luxo
Que não vale um milharão
Homem da terra bruta
Ensina o filho pequeno
A amar o chão que pisou
O que nasce dessa terra
Foi Deus quem abençoou
E a prosa continua
Do jeitão que o tempo ensinou
Quem cultiva a própria vida
Nunca do campo se afastou
E quando a Lua aparece
Clareando o terreirão
O homem do campo olha
E agradece a proteção
Pois sabe que a mão divina
Guia sua ruminação
E que a casa simples é rica
Na pureza do coração
Homem da terra bruta
Que carrega o sertão consigo
O mundo pode mudar tudo
Mas ele segue tranquilo
Pois conhece o valor do trabalho
E o poder do chão amigo
Quem nasce da terra firme
Tem Deus caminhando consigo