Deixa eu usar
Máquina do desejar
Por apenas um mês
Serei bom freguês
Dinheiro e mulata
Peitos falsos, naturais
Loira turbinada
Gemidos falsos e reais
Depois lhe direi
Se a alma é corrompida
Não assuma queirei
Não ter disciplina
As ruas são iguais
Outdoors diferentes
E os animais
Ainda contundentes
Eles choram, odeiam, enganam
O chão que atravessam, espantam
Se sentem injustiçados, vítimas
Nas histórias de suas escritas
As ruas são iguais
Animais diferentes
Iguais aos demais
Tão inocentes
É claro, divorciada
Depressiva, arrasada
Continua amarga
Sem partida, chegada
Não esqueço como tratou
O bom moço, que ainda sou
Minha ilusão devorada
Pela monstra maquiada
É claro, é novembro
Céu cinza, pelo que lembro
De certo modo, aconchegante
O Sol precisa estar distante
Você me dava conselho
Quando eu tinha o mesmo medo
Você olhava horizonte
Com olhar que moveria monte
Você usou mesmo cobertor
Pra acabar com a mesma dor
Passo o bairro
Miserável, engraçado
Brega, destemido
Sem vergonha do seu vício
Não ligo mais
Pra essas ruas e quintais
E ligo menos
Para os adultos nojentos
Passo a escola
Que ensinou a fazer cola
Resposta decorada
Pra pergunta ensaiada
Não há ninguém aqui
Ela então sorri
Adorável e trágica
Ela é casual sobre o final
Procuro em vão, lágrima
Ela propõe procriar
Um destino cujo o ar
Pode amanhã, terminar
Ela é casual sobre o final
Procuro em vão, lágrima
Ela propõe dirigir
Pela estrada sem fim
Até combustível acabar
Ela é casual sobre o final
Procuro em vão, lágrima
Fantasmas conversavam
Alguns discordavam
Assombravam amor
Glória, esplendor
Maioria sorria
Para aquele que ria
Do romântico podre
Que vazava enxofre
Fantasmas conversavam
Gargalhavam
Tudo inútil
Certeza de confuso