Foi em uma terra abençoada
Um céu de anil e um pampa largo
Gente Guapa à terra afeiçoada
Charrua, guarani e minuano
Orgulho deste povo eu trago
No meu sangue e nessa toada
De além-mar, Portugal e Espanha
Chegou por todo o campo
A cobiça, a ira, a mesma sanha
O livro, a sentença estampada
A cruz, a espada e um novo mando
Tu és escravo ou és nada
De Alkebulan vieram os negros
Com toda sua força acorrentada
Trouxeram fé, tambor e dança
A força do braço fez a charqueada
Na guerra farrapa empunhou a lança
Liberdade, garra e esperança
E assim o Rio Grande
Pouco a pouco se fez
O índio, o caboclo
Alemão, português
Negro, italiano
Formando a nação
Um tempo depois, chegou o alemão
Com muito trabalho, a força motriz
Criou a indústria, a navegação
Cruzou sua cultura com o sangue raiz
E, neste momento, a transformação
Ampliou o Continente, sua matiz
Na Serra Gaúcha, chegou o italiano
A pátria adotada, no meio da mata
O vinho, a comida, um pouco de canto
Io sono brasiliano, a escolha sensata
A família, o trabalho, a fé no santo
A mistura do sangue, agora é nata
E vieram outros tantos
De todo lugar, se fez o Rio Grande
Da fartura e mistura, sem igual
Sem raça pura, mistura real
Nossa cultura, a cor do gaúcho
É a alma do nosso ancestral