Na charqueada tão sombria
O ar pesado – sangue e morte
O braço negro se curvava
Na pele ardia o vento norte
O escravo foi condenado
A trabalhar noite e dia
Sustentando todo o Estado
Castigado com covardia
Negro sangue derramado
Negro canto de agonia
Da dor nasce a esperança
Liberdade vem um dia
O Negrinho perdeu o cavalo
No tronco foi castigado
Nossa Senhora fez o milagre
O baio foi encontrado
Mas o milagre não voltou
Pro soldado negro farrapo
Que queria liberdade
E na verdade pereceu
A maldade ficou na história
A ferida não cicatrizou
O povo sustenta a memória
Ninguém cala quem lutou
Negro sangue derramado
Negro canto de agonia
Da dor nasce a esperança
Liberdade vem um dia