Lá no fundo da estância já se escuta o estalar
De lenha grossa no braseiro e fumaça se espalhando
No espeto a ponta de peito vai assando devagar
Enquanto toda a peonada no galpão vai se achegando
No calor da churrasqueada se ouve o pingo da graxa
Respingando no braseiro numa alegre reunião
Trago e bóia à reviria e gaiteiros afamados
Que tem festa na estância, aniversário do patrão
O peão apronta as garras, aproveita o sortimento
Dá de mão na carneadeira e já derruba um costelão
De bucho cheio, emalado, ele solta um sapucai
E improvisa do seu jeito um verso de relação
Aniversário do patrão, tem festança lá na estância
Cantoria, trova e dança, alegria e pataquadas
Festa de toda a família que dura semana inteira
Tradição do tempo antigo que o tempo não desgasta
Tem arroz de carreteiro fumegando na panela
Linguiçada, pão caseiro e um assado sempre à beira
No galpão das encilhas se penduram os chapéus
Cada um conta uma história dessas lidas de fronteira
Vem gente das vizinhança se assentar junto do fogo
Cada qual traz sua história que recorda nas lembrança
Tem quem cante uma vaneira, tem quem puxe um desafio
E o assador campeia o ponto do churrasco da festança