De quando em quando, da minha água-furtada
Meus olhos vão procurando de outros olhos a morada
Vagueio a vista pela viela adormecida
Mas nem sombras do fadista do fado da minha vida
Zé da melena, onde estás, que te não vejo?
Vem, que a noite está serena como a carícia dum beijo
Vem à viela, que a minha voz não resiste
A atirar-te da janela o fado dum amor triste
Vem de mansinho, por sob o luar de prata
Que te ilumina o caminho da noturna serenata
Traz a guitarra que aos palácios foi gemer
Não te esqueças da samarra, de manhã pode chover
Zé da melena, quem dera fosse verdade
Mas sonhar não vale a pena, com as penas da saudade
Zé da melena, tu pertences ao passado
Para quê trazer à cena relíquias do velho fado?