Gosto de ver um homem de chapéu largo e samarra
Montando um alazão pelos campos fora
Que saiba, em qualquer parte, dedilhar uma guitarra
Cantando esta canção tão sonhadora
E que sobre o chapéu posto a rigor, uma melena
Sobressaia, porém, como a dizer
Sou faia, sou audaz e com o luar, em noite amena
Sei amar, sei cantar e sei sofrer
No Ribatejo, banhado pelo lindo Tejo
Onde o trigo é bagos d'ouro
No seu Sol abençoado
Há desta gente tão fervorosa e valente
Que sabe pegar um toiro e sabe cantar o fado
Também gosto de ver sob a lezíria, cavalgando
De vara larga em riste, um bom campino
Beata presa ao lábio, sorridente vai cantando
Um fado que pra ele é mais que um hino
Enquanto o seu olhar de bom vigia segue atento
O gado que ali perto anda a pastar
E sob o Sol que abrasa, seja à chuva, seja ao vento
É vê-lo sempre alegre, a cavalgar