Não falar foi manter
Motor batendo em falso
Luz intermitente
Num prédio escasso
Teu toque acende
Curto circuito em mim
Faísca bonita
Anunciando o fim
Eu colecionei falhas
Como medalha
Cada erro um rito
Que nunca atrapalha
Entre o impulso
E o medo de ceder
Fiquei especialista
Em não te perder
Veja é ferrugem clara no peito
Corrói devagar mas parece perfeito
É dor elegante, erro consciente
Um risco bonito permanente
Talvez falar é saber e continuar
Mesmo quando não dá pra consertar
Teu nome vibra
Nas paredes do quarto
Eco pequeno
Persistente exato
Não é saudade
É algo mais denso
Uma ausência ativa
Um vício suspenso
Se amar é sustentar contradição
Eu sustento em silêncio essa pressão
Tem coisas que vive sem se explicar
Só insiste em ficar
Veja é ferrugem clara no peito
Corrói devagar mas parece perfeito
É dor elegante, erro consciente
Um risco bonito permanente
Talvez falar é saber e continuar
Mesmo quando não dá pra consertar
Veja é ferrugem clara no peito
Corrói devagar mas parece perfeito
É dor elegante, erro consciente
Um risco bonito permanente
Talvez falar é saber e continuar
Mesmo quando não dá pra consertar