Vivo adiando a única certeza que eu tenho
Finjo que o relógio na parede não é o meu tempo
Marco reunião, marco meta, marco um monte de nada
Enquanto o fim se aproxima sem hora marcada
Ninguém quer falar da morte na roda, no almoço
Fingem que ela é rara, que só bate no idoso
Mas ela mora dentro de cada respiração
Ela é a moldura que dá sentido à minha condição
Não é sobre morrer, é sobre saber que eu vou
Não é desistência, é a lucidez que restou
Quando eu encaro o fim, eu paro de adiar a vida
Só quem sabe que acaba escolhe o que faz valer a partida
Ser para morrer não é sentença, é bússola
Ser para morrer o que me resta é só a escolha
Eu não tenho tempo pra viver de mentira
Eu sou o tempo que me resta até o fim dessa linha
Vivi anos no automático, sonhando o sonho de outro
Cumprindo agenda alheia, fingindo que era o meu rosto
Até que a lembrança da morte bateu na porta um dia
E me perguntou: Isso aqui é sua vida ou é fuga e covardia?
Não vou fingir mais que tenho tempo de sobra
Cada escolha que eu faço hoje é a última que eu dobro
A angústia da morte não é fraqueza, é o convite
Pra parar de viver como zumbi e virar quem eu decide
Não é sobre morrer, é sobre saber que eu vou
Não é desistência, é a lucidez que restou
Quando eu encaro o fim, eu paro de adiar a vida
Só quem sabe que acaba escolhe o que faz valer a partida
Ser para morrer não é sentença, é bússola
Ser para morrer o que me resta é só a escolha
Eu não tenho tempo pra viver de mentira
Eu sou o tempo que me resta até o fim dessa linha
Tic
Tac
Cada
Segundo conta
Não tenho medo do fim, tenho medo de chegar nele vazio
Tenho medo de ter vivido a vida de um jeito esquio
Então hoje eu escolho, com o relógio correndo
Ser inteiro nesse tempo curto que eu vou vivendo
Ser para morrer não é sentença, é bússola
Ser para morrer o que me resta é só a escolha
Eu não tenho tempo pra viver de mentira
Eu sou o tempo que me resta até o fim dessa linha
Até o fim dessa linha