Rezei pra ter certeza antes de agir
Certeza nunca veio, só o tempo a fugir
Queria uma prova, um sinal, um documento
Só recebi silêncio e o meu próprio tormento
Todo mundo espera a fé chegar de mansinho
Mas fé não é conforto, é pular no escuro sozinho
Não é fechar os olhos e confiar no destino
É abrir os olhos e saltar mesmo sem caminho
Não tem razão que segure minha mão nesse instante
Não tem lógica que resolva o que só se resolve andando
Eu podia ficar, esperar, calcular pra sempre
Mas quem espera a ponte nunca atravessa a correnteza
Salto no escuro sem prova, sem rede, sem plano
Salto no escuro só eu e o abismo humano
Não é loucura, é a única forma de ser
Eu pulo porque só assim eu vou viver
Me disseram: Pensa direito antes de decidir
Pensei tanto que a vida passou sem eu sentir
Tem escolha que a razão nunca vai explicar
Só o corpo sabe a hora, só o peito sabe saltar
Não é fé cega, é fé que enxerga o precipício
E escolhe atravessar mesmo vendo o sacrifício
Não tive sinal, não tive prova, não tive aviso
Só tive o mesmo abismo do lado, sem mapa, sem improviso
Não tem razão que segure minha mão nesse instante
Não tem lógica que resolva o que só se resolve andando
Eu podia ficar, esperar, calcular pra sempre
Mas quem espera a ponte nunca atravessa a correnteza
Salto no escuro sem prova, sem rede, sem plano
Salto no escuro só eu e o abismo humano
Não é loucura, é a única forma de ser
Eu pulo porque só assim eu vou viver
Sem prova
Sem rede
Sem volta
Eu salto
E se eu cair? Que seja inteiro, não pela metade
Prefiro o erro de quem pulou à segurança de quem nunca se moveu
Certeza é prisão disfarçada de conforto
Eu escolho o risco, o resto é o preço
Salto no escuro sem prova, sem rede, sem plano
Salto no escuro só eu e o abismo humano
Não é loucura, é a única forma de ser
Eu pulo porque só assim eu vou viver
No escuro, eu ainda salto