Faço o que se faz, visto o que se usa
Falo o que se fala, calo o que se recusa
Ninguém decidiu isso, mas todo mundo obedece
Um roteiro sem autor que a vida inteira aparece
Escolhi a faculdade que se escolhe pra ganhar dinheiro
Escolhi a vida que todo mundo quer primeiro
Acordei um dia e perguntei: Essa vida é minha?
Ou é só o se vive falando através da minha boca sozinha?
Ninguém decide, mas todo mundo faz igual
Ninguém pergunta, mas o roteiro é geral
Eu virei um personagem de um script que ninguém escreveu
E fingi que essa cópia sem rosto era eu
Ninguém é o nome de quem eu virei sem perceber
Ninguém o anônimo que se manda eu ser
Eu quero um rosto que seja só meu
Eu quero uma voz que ninguém emprestou
É mais fácil ser se, é mais fácil se esconder
Na multidão do todo mundo faz ninguém precisa responder
Mas essa comodidade tem um preço escondido
É a vida inteira vivida por um fantasma sem sentido
Hoje eu paro, eu saio da fila, eu quebro o padrão
Não porque é fácil, mas porque essa cópia não sacia minha mão
Prefiro errar sendo eu do que acertar sendo se
Prefiro a solidão de existir a multidão de só obedecer
Ninguém decide, mas todo mundo faz igual
Ninguém pergunta, mas o roteiro é geral
Eu virei um personagem de um script que ninguém escreveu
E fingi que essa cópia sem rosto era eu
Ninguém é o nome de quem eu virei sem perceber
Ninguém o anônimo que se manda eu ser
Eu quero um rosto que seja só meu
Eu quero uma voz que ninguém emprestou
Se faz
Se usa
Se vive
Eu não
Não quero mais ser o eco de uma multidão sem nome
Quero a fome de ser eu, mesmo que ninguém aprove
A autenticidade dói mais que a cópia confortável
Mas só ela é minha, o resto é peça descartável
Ninguém é o nome de quem eu virei sem perceber
Ninguém o anônimo que se manda eu ser
Eu quero um rosto que seja só meu
Eu quero uma voz que ninguém emprestou
Meu nome, não é se